Diniz admite pior momento da carreira: ”Subimos muito e caímos muito”

Fernando Diniz terá duas semanas para tentar transformar o momento mais delicado de sua passagem pelo Corinthians em uma reação no Campeonato Brasileiro. Mantido no cargo após a derrota por 3 a 1 para o Fluminense, no domingo (20), na Neo Química Arena, o treinador reconheceu a gravidade da sequência negativa, mas afirmou manter convicção na recuperação da equipe.

O Corinthians chegou à sexta derrota consecutiva no Brasileirão e completou sete partidas sem vencer considerando todas as competições. Com 32 pontos em 28 rodadas, ocupa a 14ª colocação e está três pontos acima da zona de rebaixamento.

A sequência contrasta com o início do trabalho de Diniz. O treinador começou sua passagem pelo clube com sete partidas de invencibilidade, mas posteriormente enfrentou uma queda de rendimento acompanhada pelas eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores e pela perda de posições no Campeonato Brasileiro.

Ao analisar sua trajetória no Corinthians, Diniz reconheceu que o período mais recente está entre os mais difíceis de sua carreira, mas separou os últimos resultados da avaliação de todo o trabalho.

“Não acho [que é o trabalho mais abaixo dos últimos]. Acho que esse recorte de 40 dias, com certeza, é o pior trabalho talvez da minha carreira. Mas, se pegar o restante, estava entre os melhores. Foi uma montanha-russa, em termos de resultado. Subimos muito e caímos muito. Teve muitos jogos que ganhamos no começo, como o Atlético-MG, por exemplo, que ganhamos de 1 a 0 no final, era muito mais plausível ter perdido aquele do que ter perdido hoje… Como outros, assim como a Chapecoense. Então, os resultados estão péssimos nesse momento. Se fosse falar em termos de resultado, foi um começo muito bom e agora muito abaixo”, reconheceu o treinador.

A pressão sobre Diniz aumentou depois do resultado contra o Fluminense. A diretoria chegou a avaliar a situação do treinador, mas decidiu pela continuidade do trabalho. Lideranças do elenco também procuraram o departamento de futebol e manifestaram apoio à permanência da comissão técnica.

Dentro de campo, Diniz entende que a reação passa por recuperar características que marcaram outros trabalhos de sua carreira. Mesmo na derrota para o Fluminense, o treinador identificou no desempenho ofensivo do segundo tempo elementos que considera importantes para a reconstrução da equipe.

“Em relação à criatividade, acho que o jogo de hoje — principalmente o segundo tempo — teve todas as minhas características dos melhores trabalhos, no sentido de criar alguma coisa nova e ser um time que tenha possibilidades de atacar de todos os jeitos. Esquerda, direita, chute de fora da área, tabela, escanteio. No começo do meu trabalho, a gente teve muito resultado, de uma maneira conservadora e fomos levando. E isso eu não vou mexer”, admitiu.

Diniz também explicou que evitou promover mudanças bruscas enquanto o Corinthians conseguia resultados e afirmou que a transformação do estilo da equipe foi planejada de maneira gradual.

“Não vou fazer o time mudar da noite para o dia, porque eu tenho que fazer mudar. Era uma coisa que estava dando certo e eu fui respeitando e mudando aos poucos as coisas. A gente fez boas partidas naquele período antes da Copa. Sempre cito o Peñarol, o Grêmio… Esses jogos tinham elementos que você pode identificar em outros trabalhos da minha carreira”, acrescentou.

A Data Fifa surge agora como oportunidade para uma intervenção maior. Sem partidas oficiais durante aproximadamente duas semanas, Diniz poderá trabalhar com o elenco antes dos dez compromissos restantes pelo Campeonato Brasileiro.

O Corinthians volta a campo no dia 7 de outubro, quando enfrenta o Internacional, às 19h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), pela 29ª rodada. Depois, no dia 11, terá o clássico contra o Palmeiras.

Com apenas o Brasileirão no calendário, a recuperação passou a ser a prioridade absoluta do Corinthians. Diniz admite a dificuldade para pedir confiança ao torcedor diante dos resultados, mas afirma que internamente ainda existe convicção no trabalho.

“Eu tenho convicção no trabalho. Acho que nesses jogos que perdemos, teve partidas que não éramos para perder. Pedirmos para acreditar é difícil pelo momento que estamos vivendo. A gente não pede, a gente quer que o torcedor acredite, assim como a gente acredita. Internamente, temos uma convicção muito forte de que isso vai dar certo. E dentro dessa convicção, a gente tem que convencer o torcedor. Não adianta falar para o torcedor acreditar com sete derrotas seguidas em sua casa, que sempre foi um lugar forte para a gente conquistar os pontos que o Corinthians sempre conquistou”, finalizou Diniz.

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