O técnico Dorival Júnior adotou um discurso firme ao comentar a possibilidade de venda do volante André ao Milan, após a eliminação do Corinthians na semifinal do Campeonato Paulista.
Incomodado com a chance de perder mais uma peça do elenco, o treinador defendeu que o clube precisa se posicionar com mais força no mercado e não aceitar imposições externas.
“Nós temos que nos definir como equipe. O que nós queremos? A minha opinião foi dada ao presidente, ele já conhece há muito tempo. Eu vim para cá para montar equipes com possibilidade de vencer, de chegar a títulos. Não quero vir para cá para ter que refazer equipes a todo momento. Nós perdemos Martínez, alguns que saíram da Copa do Brasil para cá, e estamos repondo saídas, não contratando. Tem uma diferença muito grande. Enquanto nossos adversários contratam para completarem o elenco, mas qualificando e muito, nós estamos ainda repondo algumas peças que saíram de uma no para o outro. Eu, como gestor, teria a necessidade de uma venda, só que o Corinthians tem que sinalizar ao mercado que ele vai vender a hora que ele quiser, no momento adequado”
Dorival reforçou que, na sua avaliação, o potencial esportivo do atleta é superior ao valor atualmente debatido e destacou que seu papel no clube está diretamente ligado a resultados dentro de campo, não a decisões financeiras.
“Um jogador desse nível, com apenas oito, nove jogos feitos com a camisa do Corinthians, ter esse valor é porque ele vale muito mais. O Corinthians tem que se estabelecer, e é o momento de sinalizar ao mercado que estamos aqui para montar equipes para ganhar campeonatos, vim para cá com esse objetivo. Quero melhorar ainda mais essa equipe que já é boa e pode nos dar uma resposta. Temos que ver qual o retorno que queremos: técnicos, de resultados, ou financeiro. Se for financeiro, eu não faço parte desse tipo de processo. Quero vir aqui para fazer o meu melhor e buscando todas as finais possíveis de todas as competições”
As conversas entre Corinthians e Milan envolvem a venda de 70% dos direitos econômicos de André por 17 milhões de euros, com manutenção de 20% de mais-valia em uma negociação futura. O jogador, se o acordo avançar, só se transferiria após a Copa do Mundo, em julho. Para Dorival, no entanto, a prioridade deveria ser manter o elenco intacto neste momento da temporada.
“[Por mim], Ninguém sairia. Nós ainda não temos uma equipe formada. Ainda estamos encontrando um encaixe, isso demanda tempo. Não é porque nós ganhamos a Copa do Brasil. Isso já acabou, já ficou lá atrás. Foi do ano passado. A partir desse ano, temos que ter uma equipe mais forte. Teremos um nível de exigência muito maior. Não podemos passar os apertos que passamos no Brasileiro. Daqui a pouco, como agora, temos três jogadores no DM. Nós precisamos de muito mais opções para fortalecer e, aí sim, podemos ser cobrados”
O treinador voltou a cobrar coerência no planejamento esportivo e lembrou promessas feitas no momento de sua chegada.
“Do contrário, é muito difícil dar uma resposta acontecendo o que aconteceu no ano passado, com muitos jogadores no DM no mesmo momento. Ou a gente se estabelece ou vamos ficar no meio do caminho. Não vim aqui para isso. Me prometeram uma condição e estou trabalhando para que isso se materialize. Agora, não podemos montar equipe a todo momento. Temos que melhorar aquilo que já temos e, para isso, não podemos perder aqueles que já estão”
Dorival também ponderou que a proximidade do fechamento da janela inviabiliza uma reposição à altura, seja no mercado ou nas categorias de base.
“Você vende e, com três dias para contratar, contrata quem? Ou você acha que vamos achar outro André no Terrão nesse momento? Nós não temos. Não vamos cair nessa história de que daqui a pouco aparece. Esse garoto ninguém sabia quem era, estava voltando depois de uma lesão muito séria. Eu o vi jogando e percebi que tinha qualidades. O preparamos por quase três meses. Quando lançamos, todo mundo começou a perceber quem ele era. O que eu penso? Ele precisa ficar aqui para crescer, amadurecer, dar um retorno técnico ao Corinthians. Depois disso, aí sim proporcionar um retorno financeiro. Mas antes, tem que passar por esse processo para não bater na Europa e voltar. É isso que temos que pensar. E temos que cuidar desses garotos. E o Corinthians vai vender a hora que quiser vender, e não por qualquer proposta que apareça. É minha opinião apenas. Agora, cada um faz o que acha conveniente”





