Uma reportagem publicada pelo GE.Globo revelou que o ex-chefe de segurança do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo do clube entre 2018 e 2023. O período abrange as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. De acordo com estimativa do Ministério Público de São Paulo, o valor atualizado chega a R$ 7,3 milhões.
Segundo o MP-SP, a maior parte desses repasses não possui comprovação por meio de notas fiscais ou recibos. Em entrevista ao GE.Globo, Caveira afirmou que os valores eram destinados ao pagamento de seguranças freelancers utilizados em jogos, eventos esportivos e situações de protesto no CT Dr. Joaquim Grava e no Parque São Jorge.
”Aos sábados, domingos e feriados é preciso contratar muitos seguranças freelancers para o clube. Isso também acontecia quando havia protestos no CT ou no Parque São Jorge. Antes de eu assumir, quem fazia isso era a Atual, que cobrava mais ou menos R$ 450, mas pagava R$ 120 ou R$ 150 ao segurança. Eu conversei com o Andrés sobre isso, e ele mandou eu falar com o jurídico e com o Roberto Gavioli”, relatou Caveira.
O ex-chefe de segurança acrescentou que a demanda envolvia diversas modalidades esportivas mantidas pelo clube, o que ampliava a necessidade de pessoal em dias de eventos. Segundo ele, em alguns casos de protestos, mais de sessenta seguranças chegaram a ser mobilizados simultaneamente, muitos deles policiais militares em horário de folga, o que, de acordo com sua versão, inviabilizaria a emissão de notas fiscais ou ordens formais de serviço.
Caveira também alegou que parte do dinheiro era utilizada para cobrir pequenas despesas e gorjetas quando estava a serviço de Andrés Sanchez ou Duilio Monteiro Alves. Atualmente, ele é classificado como investigado em um dos inquéritos em andamento no MP-SP, embora ainda não tenha sido chamado a prestar depoimento.
A apuração não é um caso isolado. Conforme revelou o Ministério Público, Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Na ocasião, o GE.Globo informou que há suspeitas de uso de empresas de fachada para justificar os gastos e viabilizar o desvio de recursos do clube.





