A crise política no Corinthians ganhou um novo capítulo com a articulação de conselheiros para tentar afastar Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo.
Nos bastidores do Parque São Jorge, o movimento busca reunir ao menos cinquenta assinaturas para convocar uma reunião extraordinária e colocar o afastamento em votação. Paralelamente, o presidente Osmar Stabile já acionou a Comissão de Ética com pedido de afastamento cautelar, baseado em artigos do estatuto que tratam de punições a associados.
O ponto central da disputa está na interpretação do estatuto. Enquanto Stabile se apoia em dispositivos que permitem sanções disciplinares, Romeu Tuma Júnior utiliza o Artigo 89 como defesa, argumentando que, por ser conselheiro eleito, o rito é diferente e não prevê suspensão liminar. Na prática, isso obrigaria a Comissão de Ética a conduzir um processo completo antes de qualquer decisão, com posterior votação no Conselho Deliberativo.
O cenário institucional pode sofrer efeito dominó. Em caso de afastamento, o cargo seria ocupado por Leonardo Pantaleão, atual vice do Conselho, enquanto a vice-presidência passaria a Maria Ângela de Souza Ocampos, que também responde a processo disciplinar por envolvimento em um episódio de tumulto em 2025.
A tensão aumentou após um bate-boca público entre Stabile e Tuma durante reunião no clube, que discutia a reforma do estatuto. A troca de acusações — incluindo alegação de ameaça — desencadeou confusão entre conselheiros, com ofensas e empurrões.
No pano de fundo, está a divergência sobre a suposta recontratação de um profissional ligado a episódios anteriores de conflito no clube, ainda na gestão de Augusto Melo. Stabile nega qualquer vínculo atual, enquanto Tuma afirma ter provas do contrário.
O caso expõe uma disputa de poder em curso no Conselho Deliberativo e amplia o ambiente de instabilidade política no clube, com desdobramentos que ainda dependem tanto da mobilização interna dos conselheiros quanto da interpretação formal do estatuto.





