O Conselho Deliberativo do Corinthians anunciou nesta quinta-feira (13) o cancelamento da Assembleia Geral dos Associados que estava marcada para o dia 20 de junho. A decisão atende a uma liminar do Poder Judiciário que suspendeu a realização do encontro destinado à votação da proposta de reforma do estatuto social do clube.
O comunicado foi assinado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. Segundo o documento, o cancelamento ocorre diante do “cenário de incerteza jurídica” e busca “resguardar a segurança jurídica, a estabilidade institucional e a regularidade dos atos deliberativos dos órgãos internos”. A determinação também prevê que a diretoria informe os associados e demais interessados sobre a medida.
A assembleia permanece “sub judice”, sob análise do Poder Judiciário. A decisão que levou à suspensão teve origem em ação apresentada pelos conselheiros vitalícios Ademir Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, que questionaram a regularidade do processo de elaboração da proposta submetida aos associados. O desembargador Maurício Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), concedeu tutela recursal e suspendeu os efeitos do edital de convocação.
A discussão sobre a reforma estatutária acumula disputas judiciais. Uma assembleia convocada anteriormente já havia sido suspensa após medida obtida pelo conselheiro Felipe Ezabella. Posteriormente, associados ligados aos coletivos Voz Corinthiana e Família Corinthians conseguiram decisão que reconheceu a validade da nova convocação. Ezabella também tentou restringir a votação aos destaques aprovados pelo Conselho Deliberativo, mas o pedido foi rejeitado.
A última reforma do estatuto do Corinthians ocorreu em 2008 e estabeleceu, entre outras mudanças, eleições diretas para presidente pelos associados e o fim da possibilidade de reeleição. As discussões mais recentes incluem temas como a participação do Fiel Torcedor nas eleições do clube e regras relacionadas a uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mas o processo segue sem uma definição diante das disputas internas e judiciais.





