SAFiel cobra resposta do Corinthians para avançar

A SAFiel voltou a se manifestar nesta terça-feira (15) sobre as tratativas para transformar o futebol do Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O grupo informou que procurou novamente o clube na segunda-feira (14) e pediu uma definição da diretoria sobre os próximos passos da negociação.

O novo contato ocorreu após a SAFiel responder aos questionamentos apresentados pelo Corinthians. A última reunião oficial entre as partes aconteceu em 26 de agosto. Segundo o projeto, desde então foram enviados esclarecimentos e reiterada a disposição para continuar as discussões.

Um dos principais pontos de divergência envolve a dívida da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal. De acordo com a SAFiel, o presidente Osmar Stabile condicionou o avanço das negociações à quitação prévia do débito do estádio pelo projeto. O grupo afirma aceitar discutir a solução para a dívida, mas defende que qualquer compromisso financeiro seja precedido pela formalização das condições da operação.

“Uma operação desta dimensão precisa ser construída com compromissos recíprocos, segurança jurídica, aprovações institucionais e contratos vinculantes. Nenhuma solução responsável pode exigir que uma das partes assuma primeiro um risco bilionário para somente depois descobrir se haverá acordo”, afirmou a SAFiel.

No fim de agosto, Osmar Stabile havia declarado que estaria disposto a assinar um documento vinculante caso a SAFiel apresentasse os recursos necessários para solucionar a dívida da arena. Na segunda-feira (14), o projeto encaminhou uma carta ao presidente e solicitou uma nova reunião para discutir os termos e estabelecer compromissos simultâneos entre as partes.

“A SAFiel está pronta para avançar. Cabe agora ao presidente Osmar dizer se está disposto a avançar sobre essa base, com compromissos simultâneos, formais e juridicamente vinculantes para as duas partes”, diz outro trecho do comunicado.

Proposta prevê captação bilionária

A proposta da SAFiel foi apresentada oficialmente ao Corinthians em 2 de junho e prevê a possibilidade de captação de R$ 2,5 bilhões, com potencial de alcançar R$ 3 bilhões. Os recursos seriam destinados, entre outros pontos, à redução das dívidas relacionadas ao futebol, investimentos esportivos, melhorias estruturais e implantação de mecanismos de governança.

O projeto também estabelece a participação de torcedores como investidores, com aportes a partir de R$ 250 e limites vinculados ao CPF. Investidores externos poderiam complementar a captação por meio de ações sem direito a voto.

A proposta prevê ainda mecanismos para preservar nome, escudo, símbolos e cores do Corinthians, além de condições que permitiriam ao clube recuperar o controle do futebol em situações previstas nos contratos.

Antes de uma eventual implementação, o projeto teria de passar pelos órgãos estatutários do Corinthians, por due diligence e valuation realizados por empresa independente, procedimentos regulatórios e votação dos associados em Assembleia Geral.

Segundo o cronograma apresentado pela SAFiel, todo o processo teria duração estimada de aproximadamente 360 dias após a aceitação da proposta. A votação em Assembleia Geral e a chamada de capital estão previstas para cerca de 300 dias depois da eventual aprovação inicial.

No comunicado desta terça-feira (15), a SAFiel também relacionou a proposta à situação financeira do Corinthians e cobrou uma definição sobre a continuidade das negociações.

“O Corinthians vê sua capacidade financeira cada vez mais comprimida. Recursos que deveriam construir o futuro precisam sustentar o presente. Obrigações se acumulam. A margem para novos erros diminui. Decisões emergenciais substituem planejamento. E cada solução provisória empurra para amanhã um problema ainda maior”, afirmou o grupo.

A transformação do futebol em SAF depende de uma série de aprovações internas e, neste momento, a proposta da SAFiel segue em fase de discussão com o Corinthians.

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