O goleiro Hugo Souza se manifestou pela primeira vez após ser alvo de ofensas racistas na saída do gramado, depois da classificação do Corinthians à semifinal do Campeonato Paulista. O Timão eliminou a Portuguesa nos pênaltis, no Canindé, no último domingo.
Segundo relatos, o jogador foi insultado com expressões como “sem dente, passa fome”, “vai cortar esse cabelo” e “favelado”. Em nota publicada nas redes sociais, Hugo Souza repudiou os ataques, classificou o episódio como crime e cobrou a devida apuração na esfera jurídica.
“O racismo é crime e precisa ser tratado com a seriedade que exige. Episódios como esse não podem ser relativizados, naturalizados ou ignorados”, afirmou o goleiro.
Corinthians, Portuguesa e a Federação Paulista de Futebol divulgaram comunicados oficiais condenando as ofensas. A Portuguesa informou que vai identificar e punir os responsáveis.
Presente no Conselho Técnico da FPF nesta segunda-feira, o diretor de futebol do Corinthians, Marcelo Paz, também manifestou apoio ao atleta.
Ao final da nota, Hugo Souza reforçou o pedido por providências: “Espero que o caso seja apurado com rigor e que medidas exemplares sejam tomadas. O combate ao racismo é uma responsabilidade de todos”.
Nota do goleiro (íntegra)
“Na noite de domingo (22), após a partida contra a Portuguesa, fui alvo de um ato de racismo na saída do estádio. Trata-se de uma situação grave, que ultrapassa qualquer limite esportivo e atinge princípios fundamentais de respeito, dignidade e igualdade.
O racismo é crime e precisa ser tratado com a seriedade que exige. Episódios como esse não podem ser relativizados, naturalizados ou ignorados. Infelizmente, essa ainda é uma realidade enfrentada por muitas pessoas pretas diariamente, dentro e fora do esporte.
Repudio qualquer manifestação preconceituosa e reafirmo meu compromisso com a luta por uma sociedade mais justa. O futebol deve ser um espaço de paixão e competição, nunca de discriminação.
Espero que o caso seja apurado com rigor na esfera jurídica e que medidas exemplares sejam tomadas.”





