O Corinthians não pagou a terceira parcela de 2026 do financiamento da Neo Química Arena, de aproximadamente R$ 27 milhões, que venceu em 25 de setembro. A suspensão, porém, foi acordada com a Caixa Econômica Federal enquanto clube e banco negociam uma nova solução para a dívida do estádio.
A informação foi publicada inicialmente pelo Meu Timão.
Dessa forma, a parcela não é tratada simplesmente como um atraso unilateral do Corinthians. As partes concordaram em suspender temporariamente o compromisso enquanto discutem uma operação mais ampla para o financiamento da Arena.
O débito é estimado atualmente em aproximadamente R$ 630 milhões.
Antes da suspensão da prestação de setembro, o Corinthians havia desembolsado cerca de R$ 56 milhões nas duas primeiras parcelas de 2026.
Naming rights entram na negociação
O principal ativo apresentado pelo Corinthians nas conversas é o direito comercial sobre o nome da Neo Química Arena.
A diretoria avalia os naming rights em aproximadamente R$ 70 milhões por temporada e propõe que a Caixa possa assumir o nome do estádio por um período a ser negociado.
Atualmente, os direitos pertencem à Hypera Pharma, dona da marca Neo Química, em contrato firmado em 2020.
Pela proposta corinthiana, o valor comercial dos naming rights seria utilizado na composição de uma operação para reduzir ou encerrar a dívida com a Caixa.
Considerando apenas uma conta simples, R$ 630 milhões correspondem a nove anos de naming rights avaliados em R$ 70 milhões anuais. Isso não significa, porém, que este será o prazo de um eventual acordo, já que valores, juros, contrapartidas e outras condições ainda estão em negociação.
Operação vai além do nome da Arena
O Corinthians colocou outros ativos comerciais na mesa.
Uma das possibilidades é transferir para a Caixa parte das operações financeiras do clube, incluindo contas bancárias e pagamento da folha salarial.
Também estão em discussão a criação de cartões relacionados ao Fiel Torcedor e produtos como títulos de capitalização.
A ideia é montar um pacote comercial capaz de gerar valor suficiente para uma nova composição do débito.
Até o momento, entretanto, a dívida não foi quitada e nenhum novo acordo foi concluído.
Corinthians quer outros R$ 27 milhões
Paralelamente, o clube tenta conseguir acesso a aproximadamente R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva ligada ao financiamento da Arena.
O mecanismo foi estabelecido na renegociação realizada com a Caixa em 2022 e funciona como uma proteção financeira relacionada ao pagamento das prestações.
A diretoria corinthiana solicitou a liberação do dinheiro para reforçar o fluxo de caixa.
O pedido acontece justamente em um momento delicado das finanças do clube.
O Corinthians encerrou os sete primeiros meses de 2026 com déficit acumulado de R$ 278,7 milhões, muito acima dos R$ 77,8 milhões de prejuízo previstos no orçamento para o período.
Dívida vai até 2041
O atual acordo da Arena foi renegociado em 2022.
Pelo contrato, o Corinthians tem até dezembro de 2041 para terminar de pagar o financiamento, com juros de 2% ao ano mais a variação do CDI.
Em 2023 e 2024, os pagamentos ficaram concentrados principalmente nos juros. A amortização efetiva do principal começou em 2025.
Em 31 de dezembro daquele ano, o saldo registrado da dívida com a Caixa era de aproximadamente R$ 642 milhões.
Em 2026, o Corinthians pagou duas das quatro parcelas previstas antes da suspensão da prestação de setembro.
Pelo cronograma atual, ainda existe uma nova parcela com vencimento em dezembro.
O tratamento dessa prestação dependerá do avanço das negociações entre Corinthians e Caixa.
E a Neo Química?
Outro ponto que precisará ser solucionado caso a operação avance envolve a Hypera Pharma.
A empresa possui atualmente os naming rights da Arena e mantém uma relação comercial com o Corinthians desde 2020.
Uma das alternativas avaliadas pelo clube é oferecer à companhia os direitos sobre outras propriedades corinthianas, incluindo eventualmente o CT Dr. Joaquim Grava, para preservar a parceria.
A negociação com a Caixa, portanto, envolve muito mais do que simplesmente trocar o nome do estádio.
O objetivo da diretoria é utilizar um conjunto de ativos comerciais para encontrar uma solução para um débito que ainda gira em torno de R$ 630 milhões e continua sendo um dos principais compromissos financeiros do Corinthians.
Por enquanto, o único movimento concreto é a suspensão acordada da parcela de aproximadamente R$ 27 milhões que venceu em setembro.
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