SAFiel encerra negociação com gestão Stabile no Corinthians

A SAFiel considera encerradas as negociações com a atual administração do Corinthians. Os empresários responsáveis pelo projeto avaliam que as conversas não devem avançar durante a gestão de Osmar Stabile, principalmente pela proximidade da eleição presidencial marcada para 28 de novembro.

Em entrevista ao Meu Timão, Carlos Teixeira, um dos responsáveis pela iniciativa, afirmou que o grupo já considera encerrada esta etapa.

“Sendo muito franco, o que passa pela nossa cabeça hoje? Primeiro, uma constatação: nesta legislatura, com a atual diretoria do clube, o projeto não avança mais. Para nós, isso já é uma página virada e uma realidade dada”, afirmou Carlos Teixeira.

Eduardo Salusse, também integrante do projeto, deixou aberta uma possibilidade de retomada, mas classificou esse cenário como improvável.

“Não é uma conclusão definitiva, mas diria que esse é o cenário mais provável — até pela falta de comunicação entre a diretoria e o nosso grupo nas últimas três ou quatro semanas, e pelo fato de o mandato já estar no fim. Não nos parece que este período seja frutífero para dar sequência ao que precisava ser feito. Tivemos uma oportunidade concreta de avançar, mas, infelizmente, não vimos do lado do clube a devolutiva mínima necessária para seguirmos em frente. Portanto, com tão pouco tempo até a eleição, é muito improvável que haja uma mudança repentina. Mas, se por acaso acontecer, nós estamos preparados.”

Reunião durou quase cinco horas

O distanciamento acontece pouco mais de um mês depois de uma reunião entre representantes das duas partes no Parque São Jorge.

Em 26 de agosto, integrantes da SAFiel se encontraram com dirigentes do Corinthians para discutir a proposta. Segundo Carlos Teixeira, participaram Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, e o presidente do Conselho de Orientação, Miguel Marques.

“No dia 26 de agosto, se não me engano, nós passamos quase cinco horas reunidos com o clube. Estavam presentes o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o doutor Romeu Tuma (presidente do Conselho Deliberativo), o doutor Miguel Marques (presidente do Conselho de Orientação) e outros diretores. Foi um encontro extenso e exaustivo. Ao final, recebemos cerca de 200 perguntas do clube, acompanhadas de um pedido expresso do presidente Osmar: que as conversas dali em diante entre o Corinthians e a SAFiel não ocorressem pela imprensa. Ele deixou isso muito claro naquela sala.”

Depois do encontro, a discussão passou a envolver diretamente a dívida da Neo Química Arena.

Stabile declarou publicamente que assinaria um documento vinculante caso a SAFiel viabilizasse a quitação da dívida do estádio.

O grupo respondeu que aceitava o desafio, mas condicionou a operação à formalização prévia de um acordo e à autorização para negociar a estrutura financeira com a Caixa Econômica Federal.

Grupo relata falta de resposta

Segundo Teixeira, a SAFiel comunicou diretamente ao presidente que aceitaria a condição apresentada.

“Ele nos pegou de surpresa, mas nos reunimos, avaliamos o cenário com muita responsabilidade e, no final do dia, confirmamos que aceitávamos o desafio. Antes de publicar a nota oficial, liguei para ele e disse: ‘Presidente, estamos aceitando a sua proposta. Vamos fazer um post para deixar isso claro a todos, já que o senhor fez um desafio público’.”

Os responsáveis afirmam que posteriormente encaminharam um e-mail ao clube detalhando os procedimentos necessários e enviaram também correspondência registrada.

“Em seguida, enviamos um e-mail ao clube ratificando a aceitação e detalhando as providências operacionais necessárias para que a quitação pudesse ser concluída. Como não tivemos retorno ao e-mail, enviamos uma correspondência registrada para protocolar o recebimento no clube. Desde então, não houve mais nenhum contato direto conosco.”

Carlos Teixeira também criticou a possibilidade de a SAFiel quitar a dívida da Arena antes da existência de um contrato.

“O único retorno do presidente Osmar veio novamente pela imprensa, quando declarou: ‘Eles têm que pagar primeiro a Arena. Depois, nós vamos fazer o contrato.’ Mandei uma mensagem direta para ele: ‘Osmar, essa condição é inaceitável. Não existe qualquer lógica financeira, empresarial ou jurídica em realizar um pagamento desse montante sem antes ter um contrato assinado com o clube.’ Além disso, vale destacar que o presidente não tem autonomia estatutária individual para assinar uma proposta vinculante como prometeu. A impressão clara que ficou é que aquilo foi um gesto puramente político, sem intenção real de construir um acordo.”

A afirmação sobre a intenção da presidência representa a avaliação dos responsáveis pela SAFiel.

Segundo Salusse, Romeu Tuma Júnior e Miguel Marques confirmaram o recebimento da documentação encaminhada pelo grupo.

SAFiel não será encerrada

O fim das conversas com Stabile não representa o encerramento do projeto.

Os responsáveis pretendem manter a proposta em discussão e buscar diálogo com a próxima administração do Corinthians.

A eleição está marcada para 28 de novembro, no Parque São Jorge.

Assim, a SAFiel passa a tratar a atual gestão como uma etapa encerrada, mas continuará tentando viabilizar o modelo dentro do clube após a definição do próximo presidente.


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