Corinthians celebra Dia Internacional da Democracia

O Corinthians utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (15), Dia Internacional da Democracia, para recuperar um capítulo de sua história que ultrapassou o futebol. Em publicação conjunta com o Departamento Cultural, o clube relembrou a Democracia Corinthiana, movimento surgido no Parque São Jorge no início da década de 1980 e que colocou jogadores, funcionários e integrantes da comissão técnica no centro das decisões do departamento de futebol.

A experiência nasceu durante os últimos anos da ditadura militar e acompanhou um período de reorganização dos movimentos sociais e políticos brasileiros. Dentro do Corinthians, decisões passaram a ser discutidas coletivamente e submetidas a votos. Fora dele, alguns de seus principais personagens assumiram posições públicas em defesa da redemocratização e se aproximaram das mobilizações que ocupavam as ruas do país.

O movimento também ajudou a consolidar uma dimensão social e política associada à história do Corinthians. Fundado em 1910 por trabalhadores no bairro do Bom Retiro, em São Paulo (SP), o clube já carregava uma identificação popular quando, mais de sete décadas depois, a Democracia Corinthiana transformou o futebol em espaço para discutir participação, liberdade e relações de poder.

A Democracia Corinthiana não era formalmente um movimento partidário nem permite classificar institucionalmente o Corinthians como um clube de esquerda. Entretanto, personagens centrais daquele período mantinham posições políticas identificadas com a esquerda e o campo progressista, enquanto o movimento se colocou publicamente a favor da redemocratização do país.

Sócrates tornou-se o maior símbolo dessa ligação entre futebol e política. O camisa 8 participou de atos pelas Diretas Já e utilizou a projeção alcançada como jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira para defender eleições diretas para presidente da República.

Ao lado dele estavam nomes como Wladimir, Walter Casagrande Júnior e Zenon. Nos bastidores, uma das figuras fundamentais foi Adilson Monteiro Alves, sociólogo e diretor de futebol que participou da implantação do modelo de gestão baseado na divisão de decisões entre dirigentes, atletas e funcionários.

O posicionamento deixou marcas também dentro de campo. A palavra “Democracia” apareceu no uniforme corinthiano, e o time utilizou o espaço proporcionado pelo futebol para transmitir mensagens relacionadas ao momento político brasileiro. A experiência acabou conectada ao processo de redemocratização que ganhava força nas ruas do país.

Um dos registros mais conhecidos aconteceu na decisão do Campeonato Paulista de 1983. Antes de enfrentar o São Paulo, os jogadores entraram em campo com a faixa “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”. O Corinthians terminou aquela edição com o título estadual.

Sócrates levou voz do Corinthians às Diretas Já

A relação ganhou ainda mais dimensão em 1984. Sócrates participou dos grandes atos das Diretas Já, campanha que defendia o retorno da eleição direta para presidente da República e reuniu diferentes setores da oposição ao regime militar.

O envolvimento transformou o jogador em uma das figuras do esporte associadas ao movimento. A Democracia Corinthiana, portanto, deixou de representar apenas uma experiência administrativa dentro de um clube de futebol e passou a dialogar diretamente com uma mobilização social que acontecia no país.

Mais de quatro décadas depois, o período segue sendo utilizado pelo Corinthians como parte de sua memória institucional. Na publicação desta terça-feira, o clube afirmou:

“15 de setembro – Dia Internacional da Democracia. Hoje celebramos um valor essencial para a sociedade e que faz parte da história do Sport Club Corinthians Paulista: a Democracia! Nos anos 80, em meio ao regime militar, jogadores, comissão técnica e funcionários do Timão se uniram em um movimento que marcou a história do futebol brasileiro: a Democracia Corinthiana. Um período em que a participação coletiva, o diálogo e a liberdade de expressão ganharam espaço dentro do Clube. Neste dia, reforçamos a importância de construir uma sociedade baseada no respeito, na participação e na diversidade de ideias.”

O Dia Internacional da Democracia é celebrado em 15 de setembro. A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007 para estimular a promoção e a consolidação dos princípios democráticos.

No Corinthians, a lembrança encontra um capítulo próprio. A Democracia Corinthiana reuniu futebol, participação coletiva e posicionamento político em um momento de transformação do Brasil e projetou personagens do clube para além do esporte.

A experiência terminou em meados da década de 1980, mas permaneceu como referência histórica. Ao recuperar o movimento no Dia Internacional da Democracia, o Corinthians volta a apresentar um período em que sua influência como clube de massa também se manifestou no debate social e político brasileiro.

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