A corrida pela presidência do Corinthians começa a ganhar forma a menos de três meses da eleição que definirá o comando do clube para o triênio 2027-2029. Marcado para sábado (28 de novembro), no Parque São Jorge, o pleito tem, neste momento, sete nomes apontados nas articulações políticas: Osmar Stabile, Guilherme Gonçalves Strenger, Sérgio Janikian, Rozallah Santoro, Miriam Athie, André Castro e Ernesto Teixeira.
A data da votação, porém, pode mudar por causa do futebol. A eleição está marcada para o mesmo sábado (28) da final da Copa Libertadores, prevista para Montevidéu, no Uruguai. Caso o Corinthians avance até a decisão continental, o pleito será transferido para o sábado seguinte, dia 5 de dezembro.
A votação está programada para ocorrer das 9h às 17h, no Ginásio Wlamir Marques. Além do presidente e dos dois vice-presidentes, os associados aptos a votar escolherão 200 conselheiros trienais e 50 suplentes.
Apesar das movimentações nos bastidores, o cenário ainda não representa uma lista definitiva de candidatos. Os próximos meses serão de articulação entre grupos políticos, composição de chapas, possíveis alianças e definição de quem efetivamente levará uma candidatura até a eleição.
Osmar Stabile
Atual presidente do Corinthians, Osmar Stabile ocupa naturalmente uma posição central na disputa. Conselheiro vitalício e empresário, assumiu interinamente a presidência após o afastamento de Augusto Melo, em maio de 2025, e posteriormente venceu a eleição indireta realizada pelo Conselho Deliberativo.
Na ocasião, Stabile recebeu 199 dos 264 votos, contra 50 de Antonio Roque Citadini e 14 de André Castro.
Uma eventual candidatura, entretanto, passa por uma discussão estatutária. Existe debate sobre a contagem do período em que permaneceu interinamente no cargo e seus efeitos sobre a possibilidade de disputar um novo mandato. Stabile já manifestou intenção de concorrer caso esteja elegível.
Se estiver na urna, carregará como principal elemento de sua candidatura o período à frente do clube entre 2025 e 2026, fazendo com que os resultados esportivos, administrativos e financeiros de sua gestão entrem diretamente no debate eleitoral.
Rozallah Santoro
Rozallah Santoro aparece entre os nomes ligados principalmente à discussão sobre as finanças do Corinthians.
Engenheiro formado pela Universidade de São Paulo (USP) e com especialização na área financeira, construiu carreira profissional com passagens por instituições como Itaú, Santander e Safra. Dentro do clube, foi diretor financeiro no início da gestão de Augusto Melo e deixou a função em junho de 2024.
É conselheiro trienal e acompanhou de dentro parte das discussões sobre a situação econômica corintiana. Em um clube pressionado pelo endividamento e pela necessidade de reorganização financeira, o tema tende a ocupar espaço relevante na eleição.
Miriam Athie
Advogada e conselheira vitalícia, Miriam Athie possui uma das trajetórias mais antigas entre os nomes colocados no cenário eleitoral.
Sócia do Corinthians desde a infância, trabalhou como advogada de Vicente Matheus e tornou-se a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Conselho Deliberativo do clube.
Uma eventual candidatura também colocaria pela primeira vez uma mulher entre os principais nomes de uma disputa presidencial corintiana, acrescentando um componente histórico à eleição de 2026.
Guilherme Gonçalves Strenger
Guilherme Gonçalves Strenger representa um perfil ligado à estrutura institucional e jurídica do Corinthians.
Conselheiro vitalício e ex-presidente do Conselho Deliberativo, Strenger também construiu carreira fora do futebol. Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, chegou ao cargo de vice-presidente da instituição.
Aos 75 anos, reúne experiência tanto na política interna do Parque São Jorge quanto no meio jurídico.
Sérgio Janikian
Empresário, economista e conselheiro do Corinthians, Sérgio Janikian já teve participação direta na administração do futebol profissional.
Em 2015, durante a presidência de Roberto de Andrade, ocupou o cargo de diretor de futebol. Sua passagem pelo departamento durou aproximadamente três meses, justamente na temporada em que o Corinthians conquistaria o Campeonato Brasileiro.
Desde então, continuou participando da política interna do clube e volta a aparecer entre os nomes considerados para uma disputa presidencial.
André Castro
André Castro já conhece uma disputa pela presidência corintiana.
Gestor de investimentos, sócio do clube há quase três décadas e atualmente em seu segundo mandato como conselheiro, ele participou da eleição indireta realizada em agosto de 2025 após a saída de Augusto Melo.
Na votação do Conselho Deliberativo, recebeu 14 votos, contra 50 de Antonio Roque Citadini e 199 de Osmar Stabile.
A experiência profissional ligada ao mercado financeiro e a participação recente em uma eleição presidencial fazem com que André Castro permaneça no tabuleiro para 2026.
Ernesto Teixeira
Ernesto Teixeira apresenta um perfil diferente dos demais nomes colocados na disputa, principalmente pela ligação histórica com a torcida.
Conselheiro do Corinthians, é conhecido também por sua trajetória na Gaviões da Fiel, onde teve participação em atividades ligadas ao samba e à preservação da memória corintiana.
Entre os possíveis candidatos, é um dos nomes com identificação mais direta com o ambiente das arquibancadas e das torcidas organizadas.
Eleição ainda pode ter alianças e desistências
Com quase três meses até a votação, os sete nomes representam o cenário atual das articulações, e não necessariamente o número de candidatos que estarão nas urnas.
A política do Corinthians é formada por diferentes grupos e movimentos, o que abre espaço para alianças, desistências e composição de chapas antes do registro definitivo.
A eleição de 2026 também ocorre em um momento importante para o clube. O próximo presidente terá mandato entre 2027 e 2029 e encontrará pela frente temas como endividamento, administração da Neo Química Arena, receitas comerciais, futebol profissional, categorias de base e mudanças na estrutura de governança.
Antes disso, porém, o calendário pode reservar uma situação incomum. Se o Corinthians chegar à final da Libertadores, o clube terá no sábado (28 de novembro) a possibilidade de disputar o principal título da América. Nesse cenário, a decisão sobre quem comandará os próximos três anos ficará para uma semana depois, no sábado (5 de dezembro).





