Os Gaviões da Fiel divulgaram, na manhã deste domingo (23), um comunicado em resposta às declarações de Paulo Pedro, advogado, conselheiro do Corinthians e secretário do Conselho de Orientação (CORI). A manifestação ocorre após o dirigente afirmar, em entrevista à ESPN Brasil, que a principal torcida organizada do clube “não sabe sequer o que quer” ao comentar as recentes mobilizações relacionadas à situação política e administrativa alvinegra.
Paulo Pedro questionou diferentes posicionamentos adotados pelos Gaviões nas últimas semanas. Entre eles, citou a defesa da permanência de Memphis Depay e o pedido de intervenção judicial no Corinthians apresentado por integrantes da torcida.
“Gaviões perderam muito nos últimos anos. Sejamos realistas, eles não sabem sequer o que querem. Soltaram as mãos de Augusto (Melo) aos 19 minutos do segundo tempo da prorrogação. Essa semana exigiram a renovação do contrato mais vergonhoso da história do clube. Na mesma semana pediram na sede do MP, que nos anos 2000 queriam a extinção dos Gaviões, a tal intervenção”, disse Paulo Pedro.
Em resposta, os Gaviões questionaram a atuação dos órgãos de fiscalização do Corinthians diante do crescimento da dívida e voltaram a defender mudanças na administração do clube. A organizada também relacionou a discussão à reforma do estatuto e à assembleia prevista para 19 de setembro.
A torcida sustenta que a defesa de maior transparência, a procura pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e o pedido de intervenção judicial fazem parte de uma mesma cobrança por mudanças na gestão do Corinthians. No comunicado, os Gaviões também direcionam críticas ao Conselho Deliberativo e ao CORI pela atuação nos últimos anos.
A manifestação acontece depois de uma semana de mobilizações. Na quarta-feira (19), torcedores estiveram em frente ao Ministério Público de São Paulo para defender a intervenção judicial e apresentar reivindicações relacionadas à administração do clube. No sábado (22), um novo protesto ocorreu em frente ao Parque São Jorge.
Situação financeira e intervenção judicial
A possibilidade de intervenção judicial no Corinthians está sob análise do Ministério Público de São Paulo. Os promotores André Pascoal e Luiz Ambra Neto vêm conduzindo apurações relacionadas a denúncias de irregularidades envolvendo administrações do clube. Eventual medida dependerá de decisão da Justiça.
Paralelamente à crise política, o Corinthians enfrenta dificuldades financeiras. O clube está impedido de registrar novos jogadores em razão de três transfer bans, sendo dois na FIFA e um na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, relacionados a pendências que somam aproximadamente R$ 22 milhões.
No primeiro trimestre de 2026, o Corinthians registrou prejuízo superior a R$ 130 milhões. O balanço referente a 2025 apresentou déficit de R$ 143 milhões e dívida total de aproximadamente R$ 2,7 bilhões. O clube também possui pendências com integrantes do elenco relacionadas a direitos de imagem, férias e premiações.
A gestão do presidente Osmar Stabile também é alvo de apuração do MP-SP relacionada à contratação da Mega Assessoria Operacional LTDA por R$ 676 mil para serviços de segurança. Também são investigados pagamentos de R$ 586 mil à Bear Security, responsável pela segurança particular do presidente.
Confira o comunicado dos Gaviões da Fiel na íntegra:
O Gaviões da Fiel Torcida tomou conhecimento de declarações atribuídas a membro do Conselho de Orientação (CORI) do Corinthians, publicadas pela ESPN, nas quais a mobilização da torcida em torno da intervenção judicial e da reforma estatutária foi tratada como incoerente.
Chama a atenção o lugar de onde parte a crítica. O CORI existe, em tese, para orientar o clube com zelo pelo patrimônio corinthiano. Enquanto a dívida saltava para perto de R$ 3 bilhões e contratos questionáveis se acumulavam, esse zelo não apareceu. Curiosa é a voz que hoje se sente à vontade para dizer o que a torcida “não sabe”, sendo a mesma que não viu, ou preferiu não ver, o clube sendo dilapidado por dentro.
Não é a torcida que precisa explicar suas reivindicações. É o Conselho Deliberativo que precisa explicar por que a reforma estatutária segue emperrada há meses, por que a assembleia de 19 de setembro continua sob ameaça de suspensão por iniciativa de conselheiros e por que quem deveria fiscalizar aprovou, ano após ano, os balanços que empurraram o clube ao abismo financeiro.
O Gaviões não pauta suas manifestações por conveniência. Cobrar transparência, apoiar a apuração do Ministério Público e pedir intervenção judicial não são posições contraditórias; são instrumentos diferentes para o mesmo objetivo: devolver ao Corinthians a gestão séria que o Conselho, historicamente, não garantiu.
É sintomático que parte do Conselho prefira desqualificar quem protesta pacificamente a responder pelo próprio histórico. Enquanto conselheiros debatem semântica, o rombo financeiro que deveriam fiscalizar segue crescendo. Esse sim, um problema real.
O papel de um conselheiro não é menosprezar quem sustenta o clube nas arquibancadas, nas bilheterias e nas lojas. É prestar contas a essa mesma torcida.
Fica a pergunta, conselheiro: se a torcida não sabe o que quer, o Conselho sabia o que fazia quando aprovou, um a um, os balanços que trouxeram o Corinthians até aqui?
A guerra não é entre nós. A luta é pelo Corinthians.
A Diretoria
Gaviões da Fiel Torcida





