Centenas de torcedores do Corinthians se reuniram nesta quarta-feira (19), em frente à sede do Ministério Público de São Paulo, para cobrar providências em relação à situação administrativa e financeira do clube. O principal pedido apresentado durante a manifestação foi para que o MP avalie a possibilidade de uma intervenção judicial no Timão.
O protesto foi organizado pelas redes sociais e reuniu integrantes de torcidas como Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra. O ex-atacante Dinei, ídolo da história corintiana, também esteve presente.
Durante o ato, os torcedores levaram faixas e cartazes com mensagens direcionadas ao Ministério Público, além de entoarem cânticos tradicionais do clube. Após a concentração na rua, representantes das organizadas foram recebidos pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, responsáveis pela investigação envolvendo o Corinthians.
Segundo Ambra Neto, a manifestação foi considerada um indicativo do nível de insatisfação existente entre os torcedores. O promotor ressaltou, porém, que o trabalho do Ministério Público seguirá de forma técnica e independente e que o protesto, por si só, não determina qualquer medida judicial.
A mobilização ocorre em meio ao inquérito que apura questões relacionadas à administração do Corinthians. Na semana passada, o presidente Osmar Stabile prestou depoimento aos investigadores para prestar esclarecimentos sobre aspectos da gestão e das condições administrativa e financeira do clube.
Torcida cobra mudança na gestão
A insatisfação demonstrada pelos torcedores está relacionada principalmente ao cenário financeiro do Corinthians e às sucessivas gestões que, segundo os manifestantes, contribuíram para o aumento das dificuldades enfrentadas pelo clube. O endividamento do Timão é estimado atualmente em cerca de R$ 2,7 bilhões.
A intenção das torcidas é pressionar o Ministério Público para que, caso sejam identificados elementos que justifiquem a medida, seja apresentada à Justiça uma ação que possa resultar na nomeação de um interventor para administrar o clube.
O inquérito, aberto em dezembro de 2025, ainda não tem prazo definido para ser concluído. Os promotores vêm analisando a documentação relacionada ao caso e só puderam avançar efetivamente na investigação a partir de maio deste ano, depois que o Conselho Superior do Ministério Público rejeitou um recurso apresentado pelo Corinthians e autorizou a continuidade do procedimento.
A expectativa é de que a apuração ainda leve algumas semanas, o que pode aproximar uma eventual conclusão das eleições do clube, previstas para o fim de 2026.
Protestos devem continuar
A manifestação desta quarta-feira não deve ser um ato isolado. As torcidas organizadas já anunciaram novas mobilizações para os próximos dias, aumentando a pressão sobre a diretoria corintiana.
A primeira delas está prevista para a partida contra o Rosario Central, na Neo Química Arena, quando a torcida promete realizar novos protestos. No sábado, a mobilização deve acontecer novamente nas proximidades do Parque São Jorge.
O movimento ocorre em um momento de forte cobrança sobre a administração do Corinthians e coloca o Ministério Público no centro das atenções de parte da torcida, que espera uma resposta sobre os rumos da investigação e sobre a possibilidade de medidas relacionadas à gestão do clube.





