O Ministério Público abriu um procedimento administrativo para apurar os valores da dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal pelo financiamento da Neo Química Arena. A investigação foi iniciada na terça-feira (1º), data em que o clube completou 116 anos, e pode apontar um saldo inferior aos mais de R$ 642 milhões atualmente atribuídos ao financiamento.
O procedimento é conduzido pelo promotor Cassio Conserino e teve início após denúncia apresentada pelo perito Anísio Castelo Branco. O especialista elaborou um dossiê com base em documentos públicos e analisou os valores relacionados ao financiamento, incluindo pagamentos realizados, multas e, principalmente, os juros cobrados ao longo do contrato.
O financiamento para a construção da Arena foi firmado no fim de 2013, no valor de R$ 400 milhões. Desde então, o Corinthians afirma ter desembolsado aproximadamente R$ 600 milhões, mas ainda teria saldo devedor superior a R$ 642 milhões. Além disso, a campanha organizada pela torcida arrecadou cerca de R$ 41 milhões para ajudar na quitação. Segundo os cálculos apresentados por Anísio Castelo Branco, caso as divergências apontadas no dossiê sejam confirmadas, o estádio já poderia estar quitado.
Em 2020, Anísio Castelo Branco enviou informações sobre o caso a Andrés Sanchez, então presidente do Corinthians, e Alexandre Husni, que presidia o Conselho Deliberativo, mas não recebeu resposta. Agora, o Ministério Público pretende apurar a composição da dívida e verificar se os valores cobrados pela Caixa Econômica Federal estão de acordo com o contrato firmado para o financiamento da Arena.





