Tobias: quem foi o goleiro que virou herói do Corinthians na Invasão de 1976

José Benedito Tobias entrou para a história do Corinthians em uma noite de chuva no Maracanã, mas sua trajetória no futebol começou muito antes da Invasão Corinthiana de 1976. Nascido em 13 de maio de 1949, em Agudos (SP), o goleiro passou por Noroeste, Guarani e Sport antes de chegar ao Parque São Jorge. Com a camisa alvinegra, disputou 125 partidas e esteve no gol em dois dos capítulos mais importantes do clube na década de 1970: a classificação para a final do Campeonato Brasileiro de 1976 e a conquista do Campeonato Paulista de 1977. Tobias morreu em 13 de julho de 2024, aos 75 anos.

A relação com o esporte começou ainda na infância. Tobias chegou a praticar basquete em Piracicaba (SP) antes de seguir no futebol. Passou pelas categorias do Noroeste, de Bauru (SP), e depois construiu uma longa passagem pelo Guarani, clube que defendeu entre o fim dos anos 1960 e a primeira metade da década seguinte. Nesse período, também atuou por empréstimo no Sport, de Recife (PE), em 1971.

Foi no Corinthians, porém, que seu nome ganhou dimensão histórica. Tobias estreou pela equipe em 5 de outubro de 1975, na vitória por 3 a 0 sobre o Moto Club, pelo Campeonato Brasileiro. A partir daquele período, assumiu espaço no time e tornou-se titular em uma geração que tentava recolocar o clube na disputa pelos principais títulos do futebol brasileiro.

A noite que mudou sua história

O momento que definiu a passagem de Tobias pelo Corinthians aconteceu em 5 de dezembro de 1976. Na semifinal do Campeonato Brasileiro, o time enfrentou o Fluminense no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), acompanhado por uma mobilização de dezenas de milhares de corinthianos que ficaria conhecida como Invasão Corinthiana.

Em um gramado castigado pela chuva, Fluminense e Corinthians empataram por 1 a 1 no tempo normal. A igualdade permaneceu durante a prorrogação e levou a definição da vaga para os pênaltis. Foi quando Tobias assumiu o protagonismo. O goleiro defendeu cobranças de Rodrigues Neto e Carlos Alberto Torres, e o Corinthians venceu a disputa por 4 a 1 para avançar à decisão do Brasileiro.

Há uma particularidade naquela atuação. Anos depois, Tobias costumava dizer que havia defendido três pênaltis. A conta considerava uma cobrança de Rodrigues Neto que precisou ser repetida por determinação da arbitragem. Tobias havia defendido a primeira tentativa e voltou a impedir o gol na repetição. Na súmula da disputa, ficaram registradas duas cobranças defendidas.

Aquela partida transformou o goleiro em um dos rostos da Invasão. O próprio Tobias recordaria posteriormente o impacto de entrar no Maracanã e encontrar uma presença corinthiana daquela dimensão. Depois da classificação, foi carregado pelos companheiros e torcedores. A repercussão continuou na volta a São Paulo (SP), quando a delegação encontrou uma mobilização de corinthianos desde o Aeroporto de Congonhas até o Parque São Jorge.

O Corinthians não conquistaria o Brasileiro. Na decisão, perdeu para o Internacional, em Porto Alegre (RS). Ainda assim, a campanha de 1976 marcou o retorno do clube a uma decisão nacional e transformou a semifinal contra o Fluminense em um dos jogos mais lembrados de sua história.

Do Maracanã ao fim do jejum

A trajetória de Tobias ainda teria outro capítulo fundamental. Em 1977, o Corinthians chegou à decisão do Campeonato Paulista contra a Ponte Preta carregando um jejum estadual iniciado após o título de 1954.

Tobias era o goleiro titular da equipe que entrou em campo no Morumbi, em 13 de outubro de 1977, para o terceiro e decisivo confronto da final. O Corinthians venceu por 1 a 0, com o gol de Basílio, e voltou a conquistar o Campeonato Paulista depois de 23 anos.

Assim, em menos de um ano, Tobias esteve diretamente ligado a dois acontecimentos que atravessariam gerações de corinthianos: a Invasão de 1976 e o fim da espera por um título em 1977.

Ao todo, foram 125 partidas pelo Corinthians, com 68 vitórias, 28 empates e 29 derrotas, além de 95 gols sofridos. Sua última atuação pelo clube ocorreu em maio de 1978.

A carreira depois do Corinthians

Após deixar o Parque São Jorge, Tobias seguiu uma trajetória por diferentes regiões do país. Em 1978, defendeu o Athletico Paranaense e conquistou o Campeonato Paranaense. Também teve passagens por Leônico, Sport, Fluminense, Bangu, Rio Negro (AM), Campinense, Paranavaí e Jalesense antes de encerrar a carreira.

Mesmo depois de deixar os gramados, sua identificação permaneceu ligada principalmente ao Corinthians. Tobias participou de atividades envolvendo ex-jogadores e chegou a atuar no time de masters do clube. Sua imagem, especialmente com o uniforme de goleiro utilizado na década de 1970, continuou associada às lembranças da geração que viveu a Invasão e o título paulista.

José Benedito Tobias morreu em 13 de julho de 2024, aos 75 anos. Na ocasião, o Corinthians destacou justamente os dois momentos que definiram sua passagem pelo clube: as defesas contra o Fluminense no Maracanã e a presença no time campeão paulista de 1977.

Quase 50 anos depois daquela semifinal, a imagem de Tobias permanece vinculada a 5 de dezembro de 1976. Em uma partida lembrada principalmente pela quantidade de corinthianos que deixou São Paulo rumo ao Rio de Janeiro, foi o goleiro quem decidiu dentro de campo. Quando a classificação passou a depender dos pênaltis, Tobias defendeu as cobranças que colocaram o Corinthians na final e transformaram seu nome em parte da história da Invasão.

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